Teu rosto

Teu rosto resplandecente
Ilumina meus entraves, meus escolhos
Teu olhar luminoso
Regenera-me e faz-me homem novo
Recupera o brilho dos meus olhos.
Lava-me, Senhor, com a alvura do Teu perdão
Branqueia-me como no dia do meu Baptismo
Estende-me a mão e segura-me
Levanta-me, Senhor, do teu abismo.

Teu nome é Misericórdia e Perdão
Quiseste ser nosso irmão
E nas sendas do mundo, connosco, caminhar;
Vem de novo abrir o Teu peito
Jorrar rios de Luz e de bondade
Que purifiquem a iniquidade do nosso olhar
E da nossa mediocridade persistente.

Ressurge luminoso, Senhor, da Páscoa
Dá-nos a Paz no cenáculo da nossa insegurança
Onde o Tomé que há em mim
Quebre as cadeias da descrença e do temor;
Meto as minhas mãos nas tuas chagas e confesso
Tu és o meu Deus e o meu Senhor!


P. Mário Tavares
oração para o II Domingo de Páscoa (da Divina Misericórdia), ano B

Erguendo ao Alto

Como é suave o anúncio redentor
Que me inunda nesta manhã de libertação:
Ressuscitou o meu Senhor
E todo o meu ser exulta de alegria
Erguendo ao Alto uma oração.
Vou de madrugada ao sepulcro
E és Tu, meu Jesus, quem me acolhe primeiro
Anunciando, como divino jardineiro
A grande notícia tão desejada.
Com a alma iluminada e as trevas mudadas em Luz
Vou ter com os outros discípulos
Para a grande Festa dos povos: Ressuscitou Jesus!

Dá-me a Graça, Senhor,
De me afeiçoar às coisas do alto
De caminhar entre escombros e tensões
Mas liberto e redimido
De meus medos e minhas prisões.

Não deixes que a rotina sufoque
Esta Paz infinita que hoje me inunda;
Que nada me separe de Ti nem obscureça
A esperança que esta manhã anuncia.
Eu sei que o meu Senhor ressuscitou
Rasgam-se as trevas, é o Novo Dia!


P. Mário Tavares
oração para o Domingo de Páscoa

Exultante, corro

Mais uma vez, Senhor
Vens celebrar a Páscoa connosco
E partilhar os nossos passos e tribulações!
Vens ao nosso encontro montado num jumento
Denunciando a nossa arrogância e orgulhos vãos;
Não te cansas de renovar o pacto com teus irmãos
E bebes, de novo, o cálice da nossa esperança
Que nos redime e salva no teu amor.
Mais uma vez, Senhor!
E eu sinto uma nossa atmosfera
Que ilumina os olhares, hoje transparentes
Porque o nosso coração sabe
Que algo de grande está para acontecer!

A festa da redenção dos povos já se anuncia
E eu, exultante, corro a colher ramos e flores
Palmas e rosmaninho, oliveira e alecrim
Que agito com as mãos entre cânticos de júbilo
Porque vens, ó meu Senhor, celebrar a Páscoa comigo
No templo que queres erguer em três dias, em mim.

Sou teu discípulo e Tu o meu Mestre!
Estendo a minha capa de mendigo para que passes;
Oiço pela manhã as tuas palavras, sigo a tua voz
E, sem recuar um passo, com a alma decidida
Percorro os caminhos da vida
Sabendo que voltas a dar a tua, por nós!


P. Mário Tavares
oração para o Domingo de Ramos, ano B

Êxodo de peregrino

Senhor, quantas maravilhas realizadas
Em minha pobre vida inquieta
Desde que pronunciaste o meu nome!
Quantos prodígios e sinais emolduraram
O meu êxodo de peregrino persistente!
Celebraste comigo uma Aliança de amor
Imprimiste a tua Lei no meu coração
E como Te conheço ainda tão pouco
Mesmo se a tua mão que me tira do cativeiro
Onde caio a cada passo
Evadindo-me, cruelmente, do Teu regaço!

Porquê esta rebeldia e ingratidão?
Porque não aprendo em meu sofrimento
A obediência de filho e a confiança de discípulo?
E como me desconcertas, Senhor
Quando respondes com o teu amor
Ao meu caminhar rebelde e inseguro!

Olho-Te na Cruz e revejo-me
Nessa história de condenação infame!
Volto o rosto porque me reconheço
Na história que assumes e que me denuncia;
Suspenso entre a terra e o Céu
O teu olhar nova Aliança já anuncia.

É esse olhar que me atrai, Senhor
E que hoje busco, mais uma vez, suplicante
Para que recupere a tua graça
E só o Teu nome a minha alma cante!


P. Mário Tavares
oração para o V Domingo da Quaresma, ano B

Caminho

É duro o meu cativeiro, Senhor,
Neste tugúrio de trevas e desolação;
Parti para longe de Ti e cavei a minha perdição
Numa terra de degredo e horror.
Mas Tu enviastes-me mensageiros de luz
E mais uma vez renovaste a aliança
Com que me amaste desde o berço;
Eu sei que não mereço, mas obrigado, Senhor!

Caminho errante pelo deserto da vida
Pactuando com a toca da víbora
Do orgulho e da minha vaidade;
Intoxicado e feito prisioneiro
Nas prisões que eu mesmo ergui
Sinto-me desfalecer e a sucumbir
Nas teias do meu pecado insistente.
Mas… eis que ergues, no deserto, uma serpente
E que, só de olhar, me cura e redime
Destruindo o cativeiro que me sufoca
E, nas minhas noites de insónia, me tortura e oprime.


Contemplo com os olhos da alma
Tão grande mistério que me vence e seduz
E me segreda serenamente
Que me amas como sou.

Quero que sejas meu baluarte seguro
Onde estarei defendido e vigilante
Não como fugitivo ou apavorado
Mas como vencedor de olhar cintilante.
Abraço a luz do Pai que, de tanto me amar,
Me dá o Seu Filho
Para o meu caminhar de errante.

Obrigado, Senhor
Porque me surpreendes tanto
E me fazes passar do cativeiro que me oprime
À Jerusalém prometida
Onde regresso armado cavaleiro
Com a espada do teu amor
E com o elmo do teu perdão.


P. Mário Tavares
oração para o IV Domingo da Quaresma, ano B