Terra de Outono

Está cansada a terra
Por mais um Estio a prumo!
Distribuiu vida sem conto
Deu à luz, fez crescer
Amou o Sol, foi mãe!
Quero ser terra de Outono
Para poder amar assim também!

Mário Tavares de Oliveira

Sou peregrino

Sou peregrino do amor, cidadão de Jerusalém;
Visto-me de luto e de aflição,
Sinto-me cansado e oprimido
De tanto amealhar desilusões e perdição.
Mas quero revestir-me da Tua Glória
Coloca-me o Teu diadema na minha cabeça
Para que jamais esqueça
Que és Tu o Senhor da minha história.

Levanta-te, Jerusalém! Teus peregrinos já se agitam
Diante da grande notícia da chegada do Messias!
Do Poente e do Nascente, a uma só voz gritam
A alegria dos filhos de novo reunidos.

Vêem de longe, do cativeiro, com saudades de Sião!
Trazem as cítaras antes dependuradas nos salgueiros da Babilónia
Vêm cantando, conduzidos pela Tua mão!
Caminhando, imploram a vinda do Emanuel
Por entre os vales preenchidos e árvores aromáticas
Que dão sombra e paz a Israel!

O profeta de novo clama: “-Preparai o caminho do Senhor”!
Endireitai as veredas: Está próximo o Reino do Amor!

P. Mário Tavares
oração para o Domingo II do Advento, ano C

Oiço Tua voz

Por entre a agitação, oiço Tua voz, Senhor!
Vens sentado numa nuvem
Peregrinando desde o santuário eterno
Até ao coração do homem, sedento do Teu amor.
À Tua chegada, de novo, o tronco de Jessé floresce
Inundando a terra de excelsa claridade;
O sol e a lua vestem-se de festa à Tua passagem
O mar solta rugidos que ecoam no silêncio dos tempos.

E o meu coração agita-se com a Tua chegada
Sempre nova e já tão consumada
Em antigas profecias e novos eventos!
Confirma o meu coração agitado no amor que renovas
E fazes germinar em cada solstício da luz;
Lentamente rompes as trevas e a solidão
Despertam os corações adormecidos
Refazem-se os laços da nossa comunhão.

Erguidos e de cabeça levantada
De olhos fitos em teu resplendor
Somos gente Tua, Senhor!
Como mendigos, abrimos a porta para que entres.
Vou vigiar como sentinela na noite
E orar para que não passes em vão;
Quero que entres em minha casa
E destruas o meu tormento;
Abre-se uma estrada no deserto:
És Tu que vens cumprir as promessas
Escuto já a Tua voz, é o Teu Advento!


P. Mário Tavares
oração para o Domingo I do Advento, ano C

Um clamor

Um clamor de infinito inunda o meu ser
Desenhando as fronteiras de um Reino eterno
Que tem como alicerces a Verdade e a Justiça
E onde o Amor é lei e governa num trono de Luz.

É um clamor que me segreda profecias
E realiza os sinais do tempo novo que povoa os meus sonhos;
Abraço as estrelas que me abraçam
Enquanto mostram o caminho que a minha súplica implora
E nas visões da noite a minha alma chora
Ao contemplar a serenidade do Teu rosto.
- És Tu, Senhor, que eu busco sem cessar!
São a tuas águas que eu procuro no meu deserto;
Sou mendigo do teu amor e do Teu sorriso
Sou cidadão do Teu Reino que sinto tão perto!

Desvanece-se o sonho, revela-se a profecia
E permaneces Tu, Senhor, Palavra eterna
Que edifica a civilização do Amor!
Na transparência do Teu olhar e com Tua voz terna
Me sussurras por entre a multidão:
“- O meu trono é o Teu coração”!

P. Mário Tavares

oração para a Solenidade de Cristo Rei, ano B

Mas eu

O Profeta visitou a cidade!
Vinha exausto da caminhada
Faminto de generosidades incontidas
E sedento da água cristalina do amor.
Olhou-me nos olhos e cruzou-se de relance
Com a minha ânsia de infinito
E com a minha pobreza humana.
De olhar penetrante implorou-me água e pão
Com que pudesse matar a fome e a sede.

Mas eu, Senhor, não sou eu o faminto
Que em cada dia implora o pão da tua graça?
Não sou eu o sedento que espera inquieto
A frescura das nascentes das tuas águas?
Como poderei saciar o profeta de Deus
Quando vem de tão longe a minha fome de infinito
E a minha sede de misericórdia e de paz?

Um sussurro da Tua brisa inundou-me
Diante do olhar do profeta que suplicava
Segredando-me à alma a sabedoria dos justos:
“-E dando que se recebe!”
Prontamente respondi: “-Eis-me aqui, Senhor!”
Sobre o nada que sou e Te entrego
Derrama a Tua Graça que redime todo o meu ser.

P. Mário Tavares

oração para o XXXII Domingo do Tempo Comum, ano B